Lá vamos nós mais uma vez.
Aniquilar o que sentimentos. Tem de ser. Para não sofrer. Para ninguém saber. Para não fazermos sofrer ninguém. Mais vale estar sozinha, mais vale chorar no quanto do meu quarto, sem ninguém a dizermos para não o fazermos. Vamos lá mais uma vez, porque uma, duas, três, quatro e cinco e mais vezes não chegam, tem de ser várias, várias as vezes que nós temos que aprender que nem sempre o que sentimos é o certo, é o bom, é melhor. Temos que nos prevenir-nos da dor, temos que mandar embora aquelas sensações que nós temos pelo nosso bem e pelo bem da outra pessoa, porque se nós realmente fossemos completamente racionais tudo era mais fácil. Mas temos aquele lado soft, aquele lado mole.
O meu lado mole está em decadência. Tenho sempre que gostar das pessoas erradas. Ficar radiante por ver aquela pessoa mas ela não ficar por me ver. É assim. Se não fosse assim eu nem sei. Já estou tão habituada a sofrer que já é quase automático. Já sei o que fazer. Chorar no meu quarto como música para me fazer chorar ainda mais, luzes desligadas, apagada do mundo, invisível.
Porque além de me sentir invisível o tempo todo, é nestas alturas que ainda faço de conta que sou mais, que ninguém tem o direito de me ver, então escondo-me.
Estou a ver esse ritual chegar de novo. Nada consigo fazer, não sei lutar, não sei fazer nada.
Quero desaparecer contigo e não posso. Quero ser tua e não posso. Tu não queres nada de ninguém.
Já devia prever, é o normal, sentir-me assim, isto acontecer-me.
Fechar os olhos e nunca mais abrir, literalmente, dormir para sempre, só dormir, apenas dormir e acordar quando já não sentisse dor, não sofresse mais, não chorasse mais. Fosse contente e feliz o tempo todo. Fosse livre o tempo inteiro.