The feels about selfie

Lavo a cara, uma, duas, três, quatro vezes. Entre elas olho-me ao espelho. Entre elas apercebo-me que a minha cara não muda, que não estou mais bonita, que os meus defeitos da face não se foram.
Lavo outra, ponho creme, não mudei.
Os meus defeitos, os mais ínfimos detalhes que não aprecio em mim continuam presentes.
Quero mudar, ser mais bonita.
Quero poder ter aquela beleza que toda a gente fica "wow, mas ela é linda" 
Quando as pessoas olham para mim, vêm "wow ela está gorda, precisa de emagrecer"
Amava poder gostar do meu corpo, poder gostar de todas as coisas que tenho e não desejar o que não tenho. 
Porque não consigo gostar de mim? Porque é que eu tenho que me odiar tanto?
A minha mãe ficou de coração destroçado quando contei-lhe que a pessoa que mais odeio sou eu própria. Que nunca odiei tanto ninguém como me odeio.  Aí apeteceu-me chorar quando vi a expressão da minha mãe. Sei que "ódio" é uma palavra forte, mas serve perfeitamente para descrever o que eu sinto.
Olho-me ao espelho e eu fico destroçada por não achar que sou bonita, porque não sou. Não gostar do meu corpo tal como ele é porque sou gorda. O problema é que antes de emagrecer, eu quero tentar gostar de mim própria, qualquer coisa serve.
Não invejo, mas admiro as pessoas que o conseguem fazer, fascina-me o facto de as pessoas conseguirem fazer algo que eu não consigo que porém quero fazer.
Eu acho que sou conseguir ser feliz comigo própria quando gostar de mim.
Quem me dera que neste mundo da treta, a beleza interior fosse mesmo a que contasse mais mas não é bem assim.
Vivemos à base da chamada boniteza exterior e não ligamos ao interior.
Ah mas também o meu interior também não serve nem para vender na feira a um cêntimo, porque é uma das razões para o meu self-hate.
A minha mãe diz que eu me retrato como um monstro, como um monstro em pessoa e diz que maior parte de tudo exagero. No entanto, é só assim que me sinto.